segunda-feira, 20 de junho de 2011

Não quero

Eu não quero ser feliz, a ignorância sozinha tem essa capacidade. Quero sentir a minha vida em toda sua complexidade.

Eu não quero um príncipe, que me resgate num cavalo branco.
Quero um homem, ser humano, que me acompanhe em cada conquista, consiga amar os meus defeitos e aguentar meu choropranto.

Não quero sucesso, fama, ser foda!
Quero criar, quero sentir a derrota.
Não quero não cair no chão. Quero levantar, superar, quero sinceramente me orgulhar.
Eu não quero orgasmos mútiplos.
Quero sintonia, quero intensidade, quero transcendência de liberdade.
Não quero nada que possa compreender.
Quero tudo, quero nada, estar certa, estar errada.
Ser gostosona, ser esquisita, ser amada, odiada, ser querida.
Não quero raízes. Quero verdade.
Não quero juízes. Quero saudade.
Não quero uma casa a beira mar, não quero um ombro pra chorar.
Quero entender que temos limites, quero dar sempre meu palpite.
Não quero um grande amor. Quero poder enxergar como cada ser pode ser especial a sua maneira.
Não quero beijo, quero calor. Não quero ser princesa, quero cerveja.

Não quero alguém que me tire os pés do chão. Quero respeito, quero perdão.
Não quero procurar uma saída. Quero continuar, feliz da vida.
Não quero um sapato novo, uma bolsa, uma flor. Quero harmonia, quero equilíbrio, quero compreensão.

Não quero ser puta arrependida. Quero ser sincera, sentir o beijo, ser sua amiga.
Não quero a vida real, nem inventada.
Quero a busca, quero o justo, quero pancada.

Pancada, paz, conflito, ternura.
Volta mistério, chega de censura.

Não quero trabalhar por trabalhar, beber por beber, sorrir, fumar, beijar por sei lá.
Eu quero  ideias, quero graça quero o terror.

Quero infinito, alémaqui agora, quero tudo que não é compreensível, quero tudo que é indispensável, que é digno.