Dias atrás uma morte popular levou um nome de importância gritante na música.
Amy Whinehouse.
Dá-lhe alvoroço. Dá-lhe especulação. Dá-lhe todo mundo virando perito discutindo a razão da morte. Dá-lhe sucesso póstumo. Dá-lhe vendas de seus discos. Dá-lhe overdose sobre o tema overdose.
Diante deste trágico acontcimento não pude deixar de observar o comportamento das pessoas, meros "mortais", transformando a diva magrela em um tipo de Deusa, com veneração doentia e transformação de sua despedida quase que num ritual.
Qualquer pessoa em sã consciência se surpreende com os presentinhos póstumos, muito parecidos com oferendas, deixados em sua casa pelos seus queridos fãs.
Cigarros, bebidas, sabe-se lá mais o que ofereceram ao nosso incontestável talento do jazz. Todos elementos que contribuiram para sua morte. Qual, pergunto eu, a lógica macabra disso tudo?
Drogas... É dada por incerta a causa da morte de Amy, mas, sem dúvidas, as drogas tiveram um papel decisivo. Amy é espelho de uma geração. Uma juventude pertubada que, em conflito com tudo que prega a saúde em todos seus aspectos alcançados com a evolução do homem, procura uma válvula de escape para a realidade em produtos nocivos que resultam em um comportamento degradante.
Não. Não vimos nada de heróico na morte dessa mulher. Ela não morreu pela música, pelo país, pela família ou por qualquer outra causa. Vimos alguém fraco, se degenerando aos poucos, acabando com sua imagem e transformando uma carreira brilhante em sucesso relâmpago.
Inúmeras pessoas sofrem do mesmo problema de Amy. A divergência está na fama. Assistimos de camarote a negação do Rehab da inglesa. Acompanhamos seus vexames, seus descontroles. Nos emocionamos, nos comovemos, mas , aqui ainda estamos.
A morte em qustão deve abrir a cabeça para reflexão. Até que ponto é legal escapar do real sofrimento com alucinógenos??! É bonito procurar a solução na bebida, no álcool, na completa ilusão?
Aversão ao real não tem nada de genial. É pura mera fraqueza. Vícios em drogas é doença, e não é normal...
Vivemos de forma assustadora, numa simetria coletiva. De forma que sempre beiramos o excesso. Até que ponto o ser-humano sabe utilizar de sua liberdade de forma consciente?Até que ponto nossos valores estão deturpados e fingímos não vê-lo.
A negação de tratamento e do denominado Rehab de Amy não foi sucesso em lugar nenhum senão na música. Espero que pelo menos sua exposição frenética nossa sede doente de informação traga reflexão para algumas pessoas de hoje...