terça-feira, 5 de abril de 2011

O parque temático do bem

Este texto não é de minha autoria, mas, li e achei super bacana e vou posta-lo com minhas adaptações.
Créditos, colunista da Folha - Liz Pondé

POR QUE  existem guerras? Porque gostamos de matar. Resposta pouco simpática, mas definitiva.
Penso como o crítico Edmund Wilson (séc. XX): as guerras não são causadas primariamente por razões políticas ou econômicas, estas são apenas o que na filosofia chamamos de "causas ocasionais" (isto é, oportunidade que aparecer para realizarmos as verdadeiras causas primárias de nossas atitudes).

A verdadeira causa primária é biológica: gostamos de matar e pronto.

O governo britânico lançou na mídia imagens de seus aviões bombardeando tanques das forças pró Gaddafi na LÍBIA. Imagens como essas dão crédito para o marketing moral e político do Reino Unido: " OLHEM COMO NÃO MATAMOS CIVIS, SOMOS LEGAIS".
Perguntado certa feita sobre a morte de civis em combate, o primeiro-ministro de Israel Bibi Netanyahu teria dito " Alguém perguntou aos britanicos qnts civis alemães mataram em seus bombardeios? "
Todo mundo sabe como guerra é, mas hj em dia querem dizer q guerra pode ser combatida puxando o cabelo do inimigo. O mundo virou um "parque temático do bem".
O marketing é a ciência definitiva do inicio deste século. Se quisermos entender a política e a moral, devemos voltar nossos olhos para o marketing e não mais para a sociologia ou para a ciência política. Estas são ciências caducas para as sociedades comtemporâneas.
Desde o século 18 a filosofia política, em grande parte, virou conversa de "teenager". Coisas como "o homem é bom e a sociedade o perverte" é coisa pra boi dormir.
Sabe-se desde as cavernas que a vida moral comporta um tanto de hipocrisia, sem a qual seríamos obscenamente amorais. Mas, o problema é que, desde Rousseau, a hipocrisia  contaminou o mundo da filosofia política. Por quê?  Porque ele criou a política para o mundo como parque temático do bem.
É ridiculo como a classe intelectual , art´sticas, e vários profissionais se acham uma reserva moral da sociedade. Hábito nefasto pois corróio pensamento público desde a raiz. Faz de cada um de nós marqueteiro de nosso próprio pensamento.
A galera aderiu a tudo o que é tipo de totalitarismo desde o século 18. Mas nem todos, amém. Graças a coragem de alguns de resistir às glórias de fazer parte de um rebanho.
Mas a mentira social não é privilégio da elite intelectual de um país.
Se René Descartes, filósofo francês do século 17, nos diz que a razão foi dada a todos os homens "em quantidades iguais", devemos acrescentar, mais ao modo de outro filósofo francês do século 17, Blaise Pascal, que o pecado, sim, foi dado a todos em "quantidades iguais".
Aliás, suspeito que a razão não foi dada em "quantidades iguais" a todos os homens, mas sim, o pecado.
Nada disso significa que devemos bater palmas para as guerras. Significa que devemos resistir à praga do modo "teenager" de pensar e dizer a verdade: gostamos de matar.

O argumento de Rousseau segundo o qual temos um "sentimento empático" para o sofrimento alheio (isto é, sentimos juntos com o outro seu sofrimento e daí agimos em defesa dele) é uma piada de mau gosto. Só reagimos a violência quando ela põe a nós mesmos (ou nossos interesses) em risco.

Sabe-se muito bem que filhos e cônjuges de pessoas que ajudaram vítimias do nazismo ( ou qualquer outro sistema de violência) detestavam a atitude moral do "idiota da família" que colocava o cotidiano do grupo em risco para ajudar estranhos. Sempre que situações como essas se repetirem, a maioria esmagadora das pessoas fará o mesmo. E odiará quem não o fizer.
Muita gente sai gritando qnd isso é dito, movida apenas, em segredo, pela sagrada mentira social que sustenta a imagem pública de nós mesmos.
Genocídio é um horror, mas é a constante da humanidade. Preste atenção: Quantos períodos históricosexistiram sem algum genocídio? Nenhum ou talvez alguns minutos.
Cada um de nós está sentado sobre ossos. Ganhamos tecnologia, dinheiro, ciência e espaço com guerra. O gosto de poder  é o motor da história.

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